
A forma correta é bloqueando, com as letras -qu-. O termo « blocando » não existe nos dicionários de referência. Essa confusão recorrente merece que nos detenhamos sobre os mecanismos morfológicos do francês que a explicam, e sobre os contextos técnicos onde a distinção funcional entre essas grafias adquire um sentido particular.
Morfológica verbal: por que bloquear dá bloqueando e não blocando
O verbo « bloquear » pertence ao primeiro grupo. Seu particípio presente se forma sobre o radical do infinitivo ao qual se adiciona o sufixo -ant. O radical de « bloquear » é « bloque- », o que produz bloqueando sem nenhuma ambiguidade.
Leia também : Tudo sobre a criação de sites web profissionais e sob medida
A confusão vem do substantivo « bloqueio », onde o radical perde o -qu- em favor de um simples -c-. Esse fenômeno é comum em francês: « praticar » dá « praticando » mas « praticável », « fabricar » dá « fabricando » (particípio) mas « fabricante » (nome). Para aprofundar a diferença entre blocando e bloqueando, é preciso lembrar que o particípio presente sempre conserva a grafia do radical verbal, enquanto os derivados nominais podem se afastar dela.
Essa regra não sofre exceção para os verbos em -quer. « Atacar » dá « atacando », « estourar » dá « estourando ». Observamos que os redatores que escrevem « blocando » aplicam por analogia a lógica do nome « bloqueio » ao particípio, o que constitui um erro morfológico.
Leia também : Compreender o significado de made in EEC: origem e rastreabilidade dos produtos

Bloqueando como adjetivo técnico: usos em informática e farmacologia
No vocabulário profissional, « bloqueando » funciona como adjetivo qualificativo com uma acepção precisa. Em gestão de projetos de informática, um bug bloqueador designa um defeito que impede qualquer progresso do desenvolvimento ou do teste. Ele se distingue de um bug crítico (grave mas contornável) e de um bug menor (cosmético).
Em farmacologia, o termo aparece em expressões como « beta-bloqueador » ou « agente bloqueador ». Os beta-bloqueadores agem sobre os receptores beta-adrenérgicos do sistema cardíaco. Sua utilização abrange o tratamento da hipertensão arterial, a diminuição do risco de distúrbios do ritmo cardíaco e a gestão de certos efeitos indesejados relacionados a uma atividade adrenérgica excessiva.
A pesquisa Perplexity destaca uma distinção funcional interessante nesses domínios técnicos:
- Um elemento bloqueador (adjetivo de estado) provoca um bloqueio efetivo, uma parada constatada – por exemplo, um incidente bloqueador em produção ou um mecanismo que se congela
- Um agente « bloqueador » (termo de função, não padrão) designaria um dispositivo cujo papel é produzir um bloqueio – um medicamento antagonista que bloqueia um receptor, um anti-histamínico que neutraliza o efeito da histamina
- Essa oposição estado/efeito contra papel/função circula na literatura técnica, mas não é validada pelas gramáticas de referência, que reconhecem apenas a grafia « bloqueando »
Recomendamos manter-se a « bloqueando » em todos os casos, incluindo na documentação técnica. O uso de « blocando » permanece marginal e percebido como um erro pela maioria dos revisores profissionais.
Ponto bloqueador em gestão de projetos: a expressão que gera mais hesitações
A expressão « ponto bloqueador » domina claramente no francês profissional contemporâneo. Ela designa um obstáculo que impede o avanço de um projeto, de uma entrega ou de uma decisão. A variante « ponto blocando » aparece esporadicamente em atas de reunião ou tickets Jira, mas é percebida como incorreta.
Um ponto bloqueador se distingue de um simples risco ou dificuldade por seu caráter imediato: enquanto não for resolvido, nada progride. Em uma reunião de acompanhamento, qualificar um elemento de « bloqueador » geralmente desencadeia uma escalada para a gestão ou uma realocação de recursos.
A frequência dessa expressão em ambientes ágeis, Scrum ou Kanban explica em parte as hesitações ortográficas. Os redatores digitam rapidamente, associam mentalmente « bloco » a « blocando », e o erro se propaga por copiar e colar de um documento para outro. A grafia correta permanece « bloqueando » em todos os contextos profissionais, seja em uma ata, em um caderno de encargos ou em um relatório de auditoria.
Dica de verificação rápida
Conjugue o verbo « bloquear » no presente com « nós »: « nós bloqueamos ». O -qu- está lá. Ele se encontra em todas as formas derivadas do verbo: bloqueando, bloqueado, bloquearia. Se você hesitar, esse teste de conjugação decide imediatamente.
Bloqueando e bloqueado: não confundir particípio presente e particípio passado
Outra fonte de confusão diz respeito à distinção entre « bloqueando » (particípio presente, voz ativa) e « bloqueado » (particípio passado, voz passiva). O primeiro descreve o que provoca o bloqueio, o segundo o que sofre o bloqueio.
- « Um processo bloqueador »: o processo em si impede que outra coisa funcione (ele é a causa)
- « Um processo bloqueado »: o processo está parado, ele sofre um bloqueio (ele é a consequência)
- « Um medicamento bloqueando os receptores beta »: o medicamento age ativamente sobre os receptores
Em informática, essa distinção tem implicações técnicas diretas. Uma chamada de sistema bloqueadora (blocking call) suspende a execução do programa até obter uma resposta. Uma chamada bloqueada é uma chamada que não pode ser executada devido a um recurso indisponível. Confundir os dois termos em uma documentação técnica altera o diagnóstico.
Na redação comum, a distinção parece sutil. Ela se torna crítica assim que se redigem especificações funcionais, relatórios de incidentes ou prescrições médicas relacionadas a moléculas beta-bloqueadoras. A escolha da palavra orienta a compreensão do mecanismo descrito: ativo ou passivo, causa ou efeito.
Na próxima vez que você hesitar entre « blocando » e « bloqueando », volte ao verbo fonte. « Bloquear » mantém seu -qu- em todas suas flexões. Essa regularidade morfológica é o único ponto de referência confiável, e é mais do que suficiente.